Uma pequena história da Autonomia Universitária dentro da USP
Por Renan Perondi
Um dos maiores entreveros quando se vai discutir a greve na USP está na discussão sobre a autonomia universitária. Quando lançada abruptamente pela mídia nos lares das pessoas esta ideia soa para muitos como “os uspianos se sentem acima da lei”. Motivado por este desentendimento resolvi escrever este texto na tentativa de esclarecer alguns pontos sobre o assunto.
A fundação da USP deveu-se a um grupo de empresários e intelectuais liberais que tinham como ideólogo o educador Fernando de Azevedo. Ela nasceu num momento político particular, quando um dos membros desse grupo liberal, Armando Salles de Oliveira, foi nomeado interventor por Getúlio Vargas. Adentrando no pensamento de Fernando de Azevedo talvez consigamos entender um pouco melhor a concepção liberal de Universidade desse grupo. Para Azevedo, o Estado devia ser o grande promotor da educação pública e, também, da Universidade. Afirmava ele que as “elites” deveriam ser educadas antes das “massas”, pois cabia às primeiras a educação das segundas. As elites correspondiam a uma classe aberta e acessível que se recrutava e se renovava em todos os segmentos sociais. Aos mais inteligentes e dedicados, estava reservado um lugar entre as elites, mesmo estas pessoas tendo nascido dentre as classes mais pobres da sociedade[1].
O grupo uspiano, com Azevedo à frente, fazia críticas à já constituída Universidade do Rio de Janeiro e propunha que as faculdades da recém estabelecida Universidade fossem integradas sob um sistema único, mas com direção autônoma. Assim, desde o início já se cogitava uma Universidade de São Paulo com uma administração federativa internamente. Outro aspecto interessante de se ressaltar no projeto de criação da USP é a respeito da escolha do reitor, que se daria inteiramente dentro da Universidade, de acordo com o ideário liberal de autonomia universitária e afastamento das disputas políticas. Porém, essa medida foi revogada por resolução do governo varguista. O professor Ernesto de Souza Campos, na sua História da Universidade de São Paulo, teve acesso às atas do Conselho Universitário e dá detalhes de como esse assunto foi discutido: Leia o resto deste post
Carta aberta à população brasileira
assinada pela Associação dos Servidores Públicos Militares do Maranhão, publicada em sinpaf.org.br em 01/12
Hoje, quando a nossa categoria está em greve em todo o Maranhão, está chegando a São Luís grupos de quilombolas e de lavradores sem terra. Eles, que após sucessivos acampamentos, vem novamente à nossa capital, desta vez para tratar com o presidente nacional do INCRA.
Sabemos que, historicamente, a relação entre a Polícia Militar e as organizações populares em nosso país não é boa. Porém, neste momento importante da história, onde lutamos por dignidade e melhores condições de trabalho, achamos oportuno falar desta outra luta, travada pelos homens e mulheres do campo. Primeiro, temos que lamentar pela violência, oriunda dos conflitos de terra. Infelizmente ela acontece e nós, ao longo do tempo, tivemos nossa parcela de responsabilidade neste problema. Admitimos os nossos excessos e, agora, pedimos desculpas por eles.
Por outro lado, agora, quando grande parte da sociedade maranhense está sendo solidária conosco, queremos também deixar clara a nossa solidariedade com a luta dos quilombolas, dos índios, dos sem terra! Somos o mesmo povo, vítimas da mesma opressão, da mesma exploração que se alastras pelos quatro cantos do Maranhão!
É importante, antes de tudo, reconhecer que nós somos todos irmãos!
Hoje, nós estamos acampados na Assembléia Legislativa, querendo condições de trabalho para sustentar nossas famílias, enquanto eles querendo a terra, também para comer e sustentar os seus filhos. É nosso desejo que – nesta circunstância absolutamente atípica – se possa tentar inaugurar um novo momento entre os servidores públicos militares do Maranhão e as organizações sociais do campo e da cidade.
Achamos importante dar este exemplo para o Brasil, mostrando o verdadeiro valor do nosso povo, a grandeza da nossa gente e gritando bem alto que hoje, no Maranhão, não se consente mais esperar!
São Luís, 29 de novembro de 2011
Associação dos Servidores Públicos Militares do Maranhão
Sobre o seu Movimento, estudante:
publicado no jornal da ECA (JECA) por Anders Rinaldi – AV11
É natural é que um estudante comum se sinta desencorajado a participar do Movimento Estudantil. A maior queixa que escutei até agora, usada inclusive como desculpa para não fazer nada, é que o ME não é capaz de nos representar plenamente. Apesar disso, percebi que hoje muitos estudantes estão deixando de ser inertes e procurando essa entidade que deveria representá-los. Nunca vi tanta gente nova em assembléia. Ainda assim eles, estudantes proativos, saem pouco contentes, dizendo que ainda não se sentem bem representados. Se isso fosse um discurso de poucas pessoas, não acharia necessário perder tanto tempo com questionamentos, mas isso foi o que eu mais escutei na última semana; e duvido que todas essas pessoas estejam desistindo apenas por preguiça de participar de assembléias longas. Leia o resto deste post
A USP como reflexo da sociedade em que se insere
Nelson Fordelone Neto
Muito se tem discutido a questão dos protestos realizados por alunos da USP. Alguns se colocam contra e outros a favor pelos mais diversos motivos, portanto, creio que seja cabida uma explicação sobre o que fundamenta este conflito. Ele passa por pontos polêmicos, como a militarização da segurança, o proibicionismo e a privatização do ensino. Tentarei abordar estas questões dentro de uma ordem lógica, na qual a USP se apresenta como um reflexo da sociedade autoritária na qual se insere. Leia o resto deste post
A Desmontagem do Pensamento
por Paloma Franca Amorim e Paulo V. Bio Toledo, representando os estudantes em greve do departamento de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo
“Acredite apenas no que seus olhos vêem e seus ouvidos ouvem!
Também não acredite no que seus olhos vêem e seus ouvidos ouvem!
Saiba também que não crer algo significa algo crer!”
B. Brecht
A Polícia Militar patrulhando a Universidade de São Paulo vem engendrando ferrenhas batalhas ideológicas nas páginas da imprensa e nos oceanos virtuais. De um lado, o neo-conservadorismo vem mostrando os dentes, destilando indiscriminadamente as mais absurdas desqualificações e preconceitos, bem como expondo sem receio seu amor obtuso à moral e os bons costumes. O obscurantismo destes insiste em dizer que as reivindicações dos estudantes são apenas birra de “filhinhos de papai” desejosos de privilégios injustificáveis. Como todo esmagamento ideológico, tal processo nega-se violentamente a observar as coisas em perspectiva histórica e solapa toda e qualquer possibilidade de debate crítico. Leia o resto deste post
É tampo de partidos, de homens partidos…
Kauê Avanzi – FFLCH
Este texto visa esclarecer um pouco os acontecimentos ocorridos ultimamente na Universidade de São Paulo, em especial sobre a ultima assembléia ocorrida na Poli, onde a mudança da comissão organizadora da calourada – vista por muitos estudantes como secundária, visto a quantidade de pautas importantes que temos – evidenciou contradições centrais inerentes ao nosso movimento. Por ser contraditório, não estou aqui dotado de neutralidade alguma, tomei posição, tomei meu partido, no sentido amplo deste termo, que está muito longe da concepção reducionista do centralismo democrático. Leia o resto deste post
